A Mostra Camdança compõe a programação do Fevereiro na Dança 2019! Confira a programação:

23/02 20h00

Local: CIS Guanabara.

Ingressos no chapéu

Estudo 1. Prelúdio para movimento

com Daniela A. Beskow e Catarina Rossi

Herança

com Arcília Lima, Alexandra Krenak e Sol Terena

>> Estudo 1. Prelúdio para movimento é um estudo sobre a relação entre o movimento e a música a partir do Prelúdio da Suite n. 3 de J. S. Bach para violoncelo, tocado na viola. Ideias de movimento e som se desenvolvem a partir deste prelúdio, propondo espaços, silêncios e relações. É o primeiro trabalho resultado do encontro entre Daniela e Catarina.

Criação: Daniela A. Beskow e Catarina Rossi

Daniela Alvares Beskow é bailarina, investigadora do movimento, professora/orientadora de processos criativos, fotógrafa, escritora e produtora. Mestre em Artes Cênicas (UNESP 2017), bacharel em Comunicação das Artes do Corpo (PUCSP 2013), licenciada em Ciências Sociais (UNICAMP 2007) e bacharel em Ciências Políticas (UNICAMP 2006). Desenvolve a Metodologia de Criação em Dança e Pesquisa do movimento desde 2002. Apresentou mais de 20 solos em caráter de apresentação única. Fazem parte de seu repertório, dois solos, que concebeu, coreografou, dirigiu e compôs a dramaturgia cênica e parte da trilha sonora: “Poesia sobre o peso. Metáforas sobre a vida e a morte” e “Meia hora. Um rádio espetáculo pelo fim da violência contra as mulheres”. No mestrado lançou dois conceitos: dramaturgia cênica feminista e análise situada de espetáculos. Pesquisa a relação do movimento e da dança com as seguintes áreas: fotografia, música/teoria musical, palavra escrita. Os eixos de seus trabalho estão na pesquisa sobre: o silêncio, a respiração, o peso e a força, a relação do corpo com o chão e com o ar. Dedica-se à criação de videos dança e também à escrita de dramaturgias, tanto para a dança quanto para o teatro. Prêmios: MINC -Intercâmbio e Difusão Cultural; PROAC FESTIVAIS. Bolsas: Fapesp e Capes. Co-coordenadora do Projeto Camdança e co-realizadora do Fevereiro na Dança.

Catarina Rossi. Natural de São Paulo, estudou na Escola Municipal de Música São Paulo com Alejandro de Leon. Atualmente é bacharel em viola erudita pela Universidade Estadual de Campinas sob orientação de Emerson de Biaggi e estudante do curso de pós graduação em música da UNICAMP. Foi integrante do naipe de violas da Orquestra Jovem Municipal de SP, orquesta Tom Jobim, Orquestra Experimental de Repertório e atualmente toca na Orquestra Sinfônica de Piracicaba. Pesquisadora de música popular, fez imersão no universo da rabeca pernambucana em 2014 e desde lá vem pesquisando a área. Dentre seus outros trabalhos, é participante do Duo Szabok, Coletivo YANAY, Grupo Breusil e violista autônoma atuante em gravações, shows e concertos.

>> Herança

A ação combina narrativa, cantos, dança e tradição indígena. O elemento estético se dá pelos adornos utilizados pelas artistas indígenas e pela pintura corporal feita no próprio corpo durante o ritual de preparação para o grafismo indígena, realizado por Sol Terena e Alessandra Krenak; e também, na pintura corporal feita no corpo da artista não-indígena, Arcilia Lima, simbolizando a transferência da cultura indígena nos hábitos de vida do povo brasileiro. Durante a mistura da essência retirada do jenipapo e o carvão, utilizados na produção da tinta do grafismo, a narrativa traz elementos da cultura indígena, presentes em nosso hábitos de vida e momentos de resistência desses povos ao longo de nosso história, na leitura de trechos de reportagens, livros e depoimentos. Na dança, uma adaptação do Toré, um ritual que celebra a vida, a criação, atualmente incorporada ao movimento indígena como uma forma de expressão étnica, política, o ritual maior de resistência e união dos povos indígenas.

Arcilia Lima é instrutora de Pilates, pesquisadora do movimento no campo da educação Somática e da dança contemporânea e também coordenadora do Ateliê Soma. Sua pesquisa do movimento tem como foco o método Pilates e a Técnica Klauss Vianna de Educação Somática e dança contemporânea, na construção do corpo cênico, na preparação corporal do artista de palco, na elaboração de uma abordagem autoral no ensino do método Pilates e no treinamento em dança. Na pesquisa em dança contemporânea busca a construção do corpo-político, resgatando a identidade indígena presente nos hábitos de vida do povo brasileiro, discutindo o papel da mulher indígena na perpetuação da tradição indígena; a política, o direito e o feminismo indígena no contexto urbano e no contexto da arte contemporânea, unindo a sua pesquisa, ao coletivo “Mulheres Indígenas em Contexto Urbano”.

Sol Terena é indígena da aldeia Tereré, localizada em MS. Trabalha como pintora corporal indígena e é responsável pela discussão sobre direito indígena no coletivo “Mulheres Indígenas no Contexto Urbano”. Atua na cidade de Campinas e saiu da sua aldeia para estudar Direito na Universidade Mackenzie,  para lutar pelos direitos de seu povo.

Alexandra Krenak é contadora de histórias a partir do Porongo, cabaça com cenas da história contada produzidas pela própria artesã. É também integrante do coletivo “Mulheres Indígenas em Contexto Urbano”. Foi criada em contexto urbano desde criança pois sua avó foi retirada de seu bisavô pelo “homem branco”, porém, se dedicou a perpetuar a tradição indígena ensinando aos seus filhos, a arte e os hábitos do seu povo, os KRENAK (MG). 

Daniela A. Beskow e Catarina Rossi. Fotografia: Produção